Lembranças do serviço social do SENAI-SP: uma entrevista com Alayde Toledo Silva Pinto

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Formatura, em 19. dez. 1945, da Escola de Serviço Social – Alayde está no alto à esquerda (de óculos).

Em meados de 1944, o SENAI-SP realizou um levantamento das necessidades sociais de seus alunos da capital. Os resultados foram alarmantes: indicavam alimentação, saúde e higiene precárias, além da ausência de recreação e hábitos culturais saudáveis. Somente em uma escola, 86% dos alunos apresentavam sérios problemas dentários. A análise dos dados conduziu à organização do serviço social no SENAI, que passou a funcionar em 1945, como apoio ao desenvolvimento integral do aluno. Dona Alayde foi uma das pioneiras do serviço social.

Alayde Toledo Silva Pinto é paulistana, nasceu à rua Conselheiro Furtado, 220, em 22 de maio de 1924. Atualmente mora com os sobrinhos, José Rubens e Regina, na mesma casa em que viveram seus pais, Jorge da Silva Pinto e Maria da Glória Toledo Barbosa da Silva Pinto. Aos 93 anos é lúcida e participativa. No momento da entrevista em sua residência, recuperava- se de uma pneumonia. Seu avô foi um comerciante português casado com uma campineira que havia enviado os filhos para fazer curso superior na Suíça. O pai de dona Alayde se formou em ciências contábeis, os tios em botânica e química. A mãe era professora. Dona Alayde começou seus estudos no primário, onde hoje é o Aeroporto de Congonhas. Ali havia uma escola alemã. Como aquela escola não era registrada, seus pais a mudaram para uma escola católica. Ex-assistente social do SENAI-SP, dona Alayde exerceu funções de estagiária em 1944-45 e como funcionária de 1º de fevereiro de 1946 a 31 de dezembro de 1976. Foi contratada pelo professor engenheiro Roberto Mange1.

1 Primeiro Diretor Regional do SENAI-SP, nasceu em La Tour-de-Peilz, Suíça, em 31 de dezembro de 1885. Faleceu em São Paulo em 31 de maio de 1955. Foi professor da Escola Politécnica da USP. Concebeu o SENAI junto com Roberto Simonsen e Euvaldo Lodi.

Logo no início da conversa, dona Alayde explicou por que gostaria de falar. Queria deixar registrada a concepção de educação integral do dr. Mange em um tempo em que o estado de São Paulo enfrentava dificuldades do pós-guerra e se industrializava. Era premente a educação e a qualificação de seus cidadãos.

Como a senhora escolheu o serviço social?
Eu tinha uma prima, Gena dos Passos, que era assistente social. Ela sugeriu que minha mãe me incentivasse a cursar serviço social, pois eu levava jeito. Aí resolvi entrar como aluna ouvinte para ver se eu me interessaria em fazer o exame de ingresso. Fiz todas as provas como se fosse uma aluna regular, recebia nota, mas não tinha valor. Naquela época, precisava ter 18 anos para prestar vestibular para serviço social. Quando completei a idade, prestei o exame, passei e fiz o curso. Gostei e fiquei. Na minha família não havia essa diferenciação de homem estudar e mulher não.

Como foi o começo no SENAI-SP?
Vocês nem podem imaginar. A sede funcionava na rua Boa Vista e fomos contratadas para trabalhar lá. Ninguém sabia dizer o que deveríamos fazer, então nos enviaram para a escola. Lá começamos a implantar o trabalho em um ambiente em que havia o preconceito em relação ao trabalho das mulheres.

Encontro de Páscoa com alunos e funcionários da administração. Década de 1950, escola SENAI do Brás (SP).

Os homens eram contratados como assistentes sociais, depois de um curso de preparação, e as mulheres, mesmo formadas em curso superior, eram contratadas como auxiliares. Havia uma colega dentista que foi registrada como auxiliar de serviços de odontologia e ela não aceitou. Eu, ao contrário, lutei até convencer a entidade a fazer a coisa certa. O nosso curso da PUC era muito superior ao dos rapazes. Éramos mais bem preparadas. E considerávamos um desaforo esse tratamento. Como meus colegas homens eram contratados como assistentes sociais e nós como meras auxiliares? Fiquei, lutei e venci. Passado um tempo, solicitei que regularizassem minha carteira, colocando nela o que eu exercia. Eu tinha espírito de luta e adorava o SENAI. Minha vida era o SENAI. Entrava às 7h da manhã, saía de lá às 17h, 18h e ia direto para a faculdade dar aula. Na PUC era responsável por supervisão e orientação de estágio.

Como era o trabalho com as alunas e as operárias?
O dr. Mange selecionara duas estagiárias do 1º ano, duas do 2º ano e eu do 3º ano. Teríamos de começar o trabalho com as operárias. À época as firmas só enviavam homens aos cursos. Nosso trabalho inicial era convencer os empresários e os supervisores que as trabalhadoras precisavam ser qualificadas, mas havia resistência em enviá-las ao SENAI. A escola, segundo eles, era para os homens. Havia setores, como o têxtil, em que a maioria dos trabalhadores era do sexo feminino e havia uma cota de aprendizagem que a empresa deveria cumprir. Ao visitar os locais de trabalho, precisávamos convencer tanto as empresas quanto as moças. Quando não conseguíamos persuadir os superiores, convidávamos as trabalhadoras a visitar a escola e aí elas eram estimuladas a estudar e a convencer os seus patrões a enviá-las ao SENAI.

Em que ano foi isso?
Em 1945, se não me engano. A minha experiência com as operárias foi tão empolgante que o meu trabalho de conclusão de curso foi sobre o SENAI e versou sobre a integração das mulheres à educação profissional. O dr. Mange queria que nós assistíssemos essas alunas, no sentido da educação integral. Ainda tenho o trabalho.

Como foi a entrada das mulheres nos cursos do SENAI?
A primeira escola que trabalhei foi a Roberto Simonsen e fiquei lá até a conclusão dos programas oferecidos às mulheres. Lá funcionavam os cursos de confecção, calçados e joalharia. As condições iniciais de funcionamento eram muito precárias: salas para aulas teóricas e um barracão próximo da escola para aulas de oficina. Havia uma casa velha onde ficavam o médico, o assistente social, o dentista e a professora de educação física.

Em quais escolas a senhora lecionou?
O meu maior tempo foi na Roberto Simonsen, no Brás, que era dirigida pelo professor Luiz Gonzaga Ferreira. Depois fui para a Anchieta, na Vila Mariana, quando o professor Edmur Monteiro era o diretor, depois trabalhei em Santo Amaro e finalmente voltei à Anchieta.
Em todas as escolas eu tive que começar do bê-á-bá, conquistar os alunos e organizar o atendimento de serviço social.
No começo da Escola SENAI Roberto Simonsen, os alunos tinham aulas teóricas em salas de aula. Ainda não havia oficinas, era um galpão. Além da educação profissional, as moças recebiam preparação para a educação familiar. Havia uma salinha para que elas pudessem considerar a casa delas. Eu as ensinava a fazer comida, a receber pessoas, a administrar a casa, ou seja, as atividades da vida diária.
Os alunos eram muito desprovidos de oportunidades. Não conheciam noções básicas de higiene, de alimentação, de apresentação; não conheciam nem a praça da Sé, o centro da cidade, nunca tinham visto o mar. Então, uma das atribuições do serviço social, junto com a professora de educação física, Nancy Giorgi, era organizar a recreação deles, levá-los a passeios, cinema, teatro. Organizar atividades culturais na escola em que eles eram os participantes. Guardo algumas fotografias de passeios que eu fazia com os alunos, inclusive nas praias. Uma das atividades culturais era a dança. Um dos meninos, o Dimas do Amaral Coutinho, foi descoberto como grande talento e enviado para uma escola de balé em Paris.

Como o talento de Dimas foi descoberto?
Nós tínhamos muitas atividades artísticas, como dança, canto, teatro. Representávamos a “Dança das Horas” nas Escolas SENAI. E o Dimas participava.

Então havia aula de dança para os alunos do SENAI?
Havia. A professora de educação física preparava os alunos. Depois excursionávamos em outras escolas, como em Campinas, Piracicaba, Taubaté. O espetáculo da “Dança das Horas” foi um sucesso. Os ensaios terminavam tarde, um assistente social ou professor de educação física acompanhava os alunos até suas casas; muitas vezes as moradias ficavam em barrocas distantes, sem iluminação.
Nos passeios com os alunos, todos os assistentes iam juntos: um assistente social, um professor de educação física e um assistente da escola. O SENAI dispunha de ônibus para levar os alunos à praia. Nós íamos ao Butantan, ao Zoológico em excursão de estudos.

Qual era o objetivo das excursões e das atividades culturais dos alunos?
Organizávamos muitas festas e cerimônias cujo objetivo era oferecer arte e cultura, promovendo o conhecimento, a sociabilidade dos alunos. Enfim, instruí-los para que eles levassem novas experiências para as escolas e valorizassem o trabalho dos professores. A animação ia do servente ao diretor da escola e os nossos passeios eram feitos aos domingos. Nós gostávamos do que fazíamos.

Excursão dos alunos do SENAI à praia do Guarujá (SP). Década de 1950. Dimas do Amaral Coutinho é o terceiro da esquerda para a direita.

Nas escolas havia maestro, canto coral e canto orfeônico. Em 1955, um dos maestros, Nivaldo de Oliveira Santiago, preparou os alunos para cantarem em latim a missa de sétimo dia de morte do dr. Mange. Para o canto coral, havia também uma professora. Sempre aconteciam apresentações. Ora numa escola, ora em outra e às vezes todos os corais em conjunto. Este era o conceito de educação integral. Não se referia ao tempo que o aluno permanecia na escola, e sim, à formação cultural que proporcionávamos e que ia muito além da profissional.

Gostaria que a senhora falasse um pouco mais sobre a educação integral de seu tempo.
O aluno ficava um período no SENAI e outro na firma, mas depois passou a ficar o dia inteiro. No SENAI havia o médico, o enfermeiro, o professor de educação física, o dentista e a assistente social. Qualquer problema que os alunos tivessem, eles recorriam ao professor, ao orientador, ao assistente social. A comida vinha do SESI em grandes compartimentos metálicos para as refeições dos alunos e funcionários. A educação não era só a parte profissional, era o todo do indivíduo. Por isso havia vários profissionais para atender ao aluno. Lembro-me de um aluno que teve leucemia. Ele foi encaminhado ao tratamento e nós o acompanhávamos. Nós nos preocupávamos com o conjunto da pessoa, não só a parte profissionalizante. Era de fato educação integral. Qualquer problema que o aluno tivesse, estávamos nós ali para ajudá-lo. No meu papel como assistente social havia um clima democrático. Os alunos tinham liberdade de falar. Eu também fazia muitas reuniões e entrevistas com as famílias, as chamadas reuniões de pais. Com os alunos eu praticava dinâmica de grupo e a participação era livre. Também ministrava aula de educação moral. Eu discutia muito com eles o que fazer, quando fazer e por que não fazer determinadas coisas. Pedia permissão para gravar os encontros e depois discutia o teor com as mães, com os pais, a quem solicitava ajuda para a resolução das questões antes que os problemas estourassem e chegassem a um ponto impossível de revertê-los. Os alunos tinham o tempo de reflexão, de raciocinar sobre seus conflitos. Às vezes eles brigavam entre si e nem sabiam o porquê. A reflexão evitava agressões, violências. Com isso, a convivência na escola era muito boa, não havia brigas. Eles tinham liberdade de contar as travessuras.
Na hora do almoço até dava aula de preparação religiosa para aqueles que me pediam, eu os preparava para os sacramentos da primeira comunhão e depois os levava para os exames na Igreja do Santíssimo Sacramento. Acompanhei alunos que mais tarde se tornariam instrutores, professores e até padre, com os quais me relaciono até hoje.

Como se dava a articulação da educação física e do serviço médico com o serviço social?
O professor de educação física era preocupadíssimo. Quando o aluno tinha algum problema, ele o enviava ao serviço social para que pudéssemos tratar do assunto. Lembro-me do caso de um aluno que não gostava de tomar banho.
Aí o professor de educação física falou comigo antes. O pescoço dele estava todo rajado de sujeira. Quando o menino chegou até mim eu lhe perguntei o que havia acontecido por ele estar no serviço social. Aí ele me respondeu que não sabia, que o professor havia pedido a ele para ir até o serviço social. Perguntei-lhe, mas para quê? Aí ele me respondeu que o professor lhe disse que precisava ver o que era algumas manchas que ele tinha no pescoço. E eu lhe falei. Vamos ver o que é isso, se não passar, vamos ao médico. Peguei um algodão e passei no pescoço dele e mostrei-lhe a sujeira. Aí lhe disse: é só lavar o pescoço. Não tem nada, mas o professor, delicadamente mandou você para mim. Então você faça o favor de tomar banho. (A mãe havia me dito que quando o pai chegava do trabalho ela informava que o menino não queria tomar banho. O pai falava a todos que ele não tomava banho e ele ficava irritado e aí não tomava mesmo.)
Eu era acionada porque também havia feito um curso de enfermagem. Recebi um diploma municipal. Nós, assistentes sociais, tínhamos que estar preparados para a possibilidade de atuar em situação de guerra.
Eu também visitava as empresas para saber, junto ao pessoal de recursos humanos, quais eram as suas necessidades de formação, assim podíamos orientar os alunos para os cursos certos. Além disso, o SENAI contava com orientação profissional e testes vocacionais elaborados por psicólogos. Os cursos vocacionais eram muito bem-feitos, muito bem organizados. Foi uma pena quando os extinguiram, pois ajudava o aluno a descobrir suas aptidões. Eles experimentavam várias atividades, de várias áreas, para descobrir suas vocações. Na seleção havia o dr. Barros2 e na orientação dos cegos, o Sandoval3.

2 Dr. Oswaldo de Barros Santos graduou-se na Escola de Educação e na Escola de Educação Física, ambas da USP. Mais tarde graduou-se em pedagogia. Especializou-se no Institut D’Etudes du Travail et d’Orientation Professionale de Paris. Formou-se em psicologia clínica na Florida State University e pós-graduou-se na Columbia University (1957). Fez várias viagens de estudos em países como Suíça, Bélgica, Japão, Inglaterra, Portugal, França e Itália. Foi Diretor do Serviço de Seleção e Orientação Profissional do SENAI-SP, onde desenvolveu, com sua equipe, testes que são aplicados em várias partes do mundo.
3 Geraldo Sandoval de Andrade era psicólogo. Chefiou o Serviço de Adaptação Profissional do Cego do SENAI-SP. Foi um dos pioneiros da inclusão da pessoa com deficiência no Brasil.

Como a senhora orientava os alunos?
As dificuldades derivadas de preconceitos não ocorriam somente em relação às mulheres. Houve uma época que convencer os alunos a fazer marcenaria era muito difícil porque não havia colocação em empresa. Geralmente os marceneiros trabalhavam sozinhos, eram autônomos e a moda da época eram móveis de metal. E a marcenaria ficou em terceiro lugar como opção de escolha dos alunos. Tinha vaga aberta e elas não eram preenchidas. Um dia chegou uma senhora na minha sala e me disse:
– Dona Alayde, enviei meu menino aqui para fazer a seleção para o curso de tornearia e mandaram ele para marcenaria. E por que isso?
Comecei, então, a falar com ela – a senhora está sentada em quê? Dorme em que lugar? Guarda a roupa onde? Fiz com que ela raciocinasse que o trabalho em madeira era importante. Já havíamos entrevistado o aluno após ele ter passado por testes vocacionais e ele queria ser marceneiro e tinha aptidão para a profissão. Argumentei com a mãe que ele queria ser marceneiro. E ela finalmente aquiesceu.

Foi a senhora que implantou o serviço social na Escola SENAI de Santo Amaro?
Sim, eu implantei o serviço social nas Escolas Roberto Simonsen, Anchieta e na de Santo Amaro.

E a senhora fez estágio com a dona Nadyr4?
Quando eu vim para o SENAI, estava no último ano da faculdade. Fui supervisionada pela dona Nadyr. Depois que me formei, passei a trabalhar com supervisão e isso aconteceu durante toda a minha vida de trabalho. Supervisionava o serviço social de todas as escolas do SENAI, tanto da capital quanto do interior, orientando meus colegas que estavam em início de carreira como assistentes sociais.

4 Nadyr Gouvea Kfouri, primeira brasileira a assumir reitoria de uma universidade (PUC-SP), tia do radialista Juca Kfouri. Assistente social formada na primeira turma de 1938, prestou relevantes serviços no Brasil e no exterior. É uma referência do serviço social no Brasil.

E a senhora se lembra do nome de alguns dos colegas que supervisionou?
Sim, lembro-me, por exemplo, do Dionino Colaneri, diretor do Departamento Regional do Sesc. Ele tem muita consideração comigo, me telefona, vem me visitar. Quando trabalhava no SENAI, assistia também a cursos oferecidos aos assistentes sociais. A alma do trabalho do serviço social é a supervisão. Em uma ocasião, substitui o meu diretor, que era o Francisco de Paula Ferreira, chefe do serviço social do SENAI. Fiquei responsável tanto pela supervisão dos serviços nas escolas como pela administração central do serviço na sede. Supervisionei também o José Augusto Bezana, que depois foi chefe da Divisão de Serviço Social do SENAI, e os estagiários João Paes de Almeida e Luiz Picarelli.

E depois que a senhora se aposentou, continuou seu trabalho como assistente social?
Quando me aposentei, continuei trabalhando com um grupo de idosos que coordeno há 40 anos. E trabalho até hoje. Nosso trabalho voluntário é indicar cuidadores para as pessoas idosas. A família que precisa do cuidador nos telefona e diz o perfil que precisa. Nós selecionamos em nossos arquivos o perfil adequado e supervisionamos o trabalho dos cuidadores. Nós nos reunimos na sede da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha do Estado de São Paulo, a cada quinze dias, para um chá. Cada participante leva um doce, uma bolacha. E lá tratamos do assunto para o qual nos reunimos. Dessa forma, mantemos nossa cabeça útil e funcionando.

Que temas são discutidos no grupo?
Vou dar alguns exemplos: como e quando a gente deve fazer algo pelo outro. Ou, não podendo fazê-lo, quais as consequências. Com a internet, não se visita mais as pessoas. Não se telefona mais para elas. Por quê?

Quais são as suas lembranças de professora da PUC?
No início, fui substituir um colega. Lembro-me de um aluno que ficava de costas para mim, como se eu não existisse, e faltava em algumas aulas. Um certo dia ele me disse que estava me testando. Outro aluno que fazia CPOR foi reclamar que eu não havia dado presença para ele. Aí eu disse a ele que na hora que o quepe respondesse, eu lhe daria presença. Ele saía da sala e deixava o quepe sobre a carteira. Guardo boas lembranças daqueles tempos.

E quais são suas outras lembranças do SENAI?
Lembro-me do barulho do refeitório, da agitação dos alunos. O grêmio era uma verdadeira aula de civismo, desde a indicação dos alunos, a votação, a participação. Sinto saudades! Também me lembro do dr. Mange. Eu era muito agitada, e ele sempre falava: “Alayde, cuidado!”. Como suíço, ele era muito fechado. Mas eu gostava muito dele. Lembro-me de um discurso proferido em homenagem ao dr. Mange. O orador falou o seguinte: “Tem uma coisa que vocês não encontram nem em banco nem na Caixa. É o valor humano”.

Alayde no começo da década de 1980.

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