Ponto do conto

Ponto do conto

Seja o que Deus quiser*

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O dia começa com muito sol e uma preta de lenço vermelho na cabeça sentada no degrau do portão de uma casa antiga. Um homem atarracado desce do ônibus, atravessa a rua e para diante da mulher, que obstrui a sua passagem. Ela está com a cabeça encostada no portão, cochila. O homem pisa no […]

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Cidades e noites

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No Porto, a uns 30 metros de altura, dependurados na ponte D. Luís à espera do salto no Rio Douro, […]

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Marita, em linha reta

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Chega o momento: a grande porta é aberta por dois homens com bigodes parecidos entre si. Arrastada no assoalho, permite […]

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Um homem célebre de machado de assis

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Para abrir este espaço da revista ponto destinado À literatura escolhemos Machado de Assis (1839 – 1908), um dos maiores […]

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Ali

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Era sábado e eles haviam acordado cedo. Uma expectativa silenciosa os movia, o encontro com a família há duzentos quilômetros […]

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Uma tarde em Havana

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PARA M.R. Cuba em agosto arde e para proteger minha pele muito clara, que exposta ao tempo ganha uma coloração avermelhada, me lambuzo de protetor solar e me enfio numa camiseta de malha branca, mangas compridas. Havia desembarcado em Havana na sexta-feira à noite e no sábado de manhã atravessei o amplo saguão do Hotel […]

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O que cada um disse

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“Sei, sei, claro. Bom sujeito. Ele vem sempre aqui, à banca. Amanhã mesmo ele… Como?… Verdade?… Santo Deus!…” “Caridoso, muito caridoso. Tanto ele quanto a mulher. Um casal de comunhão frequente. Eles vinham aqui, à capela da irmandade; eles preferiam vir aqui a ir à catedral. Ele era um sujeito humilde, apesar de rico. Os […]

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As mulheres em três contos de Ivana arruda leite

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IZILDINHA Quando Cristóvão me viu sentada no pátio do hospital, tomando sol, me achou linda e quis me tirar de lá, casar-se comigo, ser pai dos meus filhos. Se aproximou, puxou conversa. Eu abri meu coração e contei minha vida inteira naquela tarde, ali mesmo sentada no banco do jardim do hospital. Desde então estamos […]

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Mãos vazias

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1. Encontramos o pai estirado no chão de terra. De boca para baixo. A poeira aspirada com sofreguidão. O corpo não aguentou o repuxo da subida. Patinou e estatelou-se. “O pai de vocês está caído lá na rua.” Fomos eu e o irmão. O pai bufava, sem forças para rastejar até em casa. A derrota […]