Mac Adams: o contador de histórias

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Voyer, 1974.

O artista britânico, naturalizado norte-americano, Mac Adams faz uso do seu trabalho para mostrar histórias que surpreendam. Pela primeira vez no Brasil, foi isso que ele proporcionou aos espectadores na mostra de fotografias e instalação, Mens Rea: a cartografia do mistério, que ocorreu até o dia 8 de julho na Galeria de Fotos do SESI-SP. Os visitantes tiveram a oportunidade de criar narrativas e interrogar a veracidade dos elementos, que transitam entre a realidade e a ficção. “Mens rea” é um termo latino que significa, literalmente, “espírito criminoso”, intenção que precede o ato criminoso. Para quem perdeu a exposição, o livro de nome homônimo acaba de ser lançado pela SESI-SP Editora. Com edição bilingue, a obra conta com 232 páginas, sendo que as fotografias estão divididas por temas, os quais alguns deles apresentamos a seguir, que são mostras muito representativas do trabalho desse inovador fotógrafo.

Adams é um dos fundadores da Arte Narrativa (Narrative Art), movimento artístico criado em Nova York nos anos 1970, que cria uma trama a partir da correlação entre imagens, textos ou objetos. Mas como explicam os curadores da exposição, Luiz Gustavo Carvalho e Anne-Céline Borey, no texto de apresentação, “enquanto alguns artistas deste movimento combinam texto e fotografias na construção de suas narrativas, Mac Adams se restringe apenas à utilização de imagens, organizadas em sequência, e ao poder evocativo de objetos, escolhidos para as suas instalações. Inspirado pelo universo de contos do seu país natal, o cinema noir americano e a literatura de ficção policial, ele concede um valor particular para o espaço deixado entre cada elemento, chamado pelo próprio artista de ‘vazio narrativo’. É justamente neste espaço/tempo que Adams oferece ao espectador um material composto por múltiplas narrativas, contado a partir de um lugar indefinido, localizado entre o que vemos e o que sabemos existir”.

Torradeira, 1976.

Torradeira, 1976.

Fúria, 1978.

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